quarta-feira, 26 de novembro de 2008

"Fotografar é uma maneira de ser"

O objetivo do Modos de Ver é favorecer uma troca de experiências e olhares sobre a fotografia, entre o fotógrafo convidado e o público. Além disso, sem dúvidas, o projeto busca estreitar as relações entre pessoas que possuem os sentidos voltados para a imagem e a arte de criá-la e que desejam compartilhar entre si o que vêem e como vêem o mundo através de lentes fotográficas. Por isso, pensando nesse enlace de idéias em prol da arte visual, resolvemos fazer uma prévia da palestra O fotógrafo por ele mesmo, e apresentar, de forma mais profunda e transparente, a fotógrafa Cristina Cenciarelli, nossa convidada da 3ª edição do Modos de Ver. Segue abaixo uma entrevista feita pela equipe do projeto com a fotógrafa.
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MV Quando começou a fotografar?
CC Comecei a fotografar com 19-20 anos e profissionalmente com 29 anos.
MV Que papel a fotografia ocupa na sua vida e na sociedade?
CC Fotografar, para mim, é uma emoção. É um modo de ver e de viver. É uma maneira de se conhecer e se re-conhecer através de uma expressão, não importa se artística ou não. É uma maneira de entender a vida, os pensamentos dos outros, através de um momento, um olhar que, sempre, tem que ser respeitoso. Fotografar é uma maneira de ser, porque a atenção e o olhar diferente permanecem sempre também quando não estou com a máquina fotográfica. A fotografia na sociedade desenvolveu um papel sempre mais respeitável: de simples “substitutivo” da pintura nos retratos e na paisagem, e se transformou em um testemunho mais e mais atento e crítico. Penso no papel importante da fotografia durante a Guerra do Vietnã, por exemplo, no jornalismo de crônica e reportagem. E agora na fotografia como arte, como forma artística e de expressão.
MV O que para você merece ser fotografado?
CC. Tudo merece ser fotografado!!! Nenhum sujeito é menos importante do que o outro. Um rosto, mas também uma sombra, uma criança abandonada, mas também uma janela. O importante, o fundamental é a emoção que a imagem transmite, a mensagem, a arte ou, simplesmente, a beleza.
MV A fotografia é valorizada como arte no Brasil?
CC. Não conheço muito sobre esse assunto, ainda não conheço a realidade em termos de apoio e seriedade das instituições brasileiras. Posso responder que os fotógrafos brasileiros estão entre os melhores do mundo, são “maestri” nessa arte e que são bem conhecidos no exterior.
Acho maravilhoso e muito corajoso o trabalho que a Casa da Photographia está desenvolvendo. Ajudando quem ama a fotografia, os fotógrafos mais jovens e os profissionais: é como uma porta bem aberta que permite a todo mundo entrar e conhecer essa arte.
MV Qual o objetivo do seu trabalho fotográfico em Boipeba?
CC Boipeba para mim é como um mistério, um lugar sem tempo que merece e precisa ser protegido, não somente sua natureza maravilhosa, mas principalmente as suas culturas e tradições. Eu aprendi a viver uma vida diferente olhando e compartilhando com os nativos da ilha, pessoas que tem todo o meu respeito. Eu quero mostrar essas vidas, como são duras e doces ao mesmo tempo, quero dar corpo a esses heróis tranqüilos e reservados que todos os dias lutam. O meu trabalho fotográfico em Boipeba é composto de momentos essenciais de vida cotidiana, de trabalhos, de retratos, de emoções e de tradições afro-brasileiras.
Mas é, também, complementar as atividades de “Eu lembro”, filmagens sobre as memórias dos velhos da ilha. Outro projeto paralelo é a associação cultural e a biblioteca, que fundei com outras três pessoas (dois nativos), dedicado à parteira mais antiga de Boipeba, analfabeta.
MV Seu trabalho em Boipeba pode ser classificado como fotografia documental etnográfica?
CC É muito difícil responder. A minha formação profissional foi na publicidade. Quando cheguei em Boipeba não tinha idéia de um projeto fotográfico específico, não sabia que tipo de relacionamento eu poderia construir com a ilha, não conhecia ainda a riqueza escondida na ilha. Tudo nasceu aos poucos, conhecendo e aprendendo, encontrando e estudando. Me apaixonando. O meu encontro com o mundo do candomblé, por exemplo, foi uma descoberta e nunca teria pensado de me envolver tão profundamente, nunca teria pensando de ser acolhida com esse carinho e respeito. Tudo foi inevitável e natural. O trabalho que estou desenvolvendo com o terreiro de Boipeba é mais que uma documentação para mostrar fora daqui. Para eles, ver as cerimônias nas fotos é reconhecer o valor do candomblé, é também um “se re-conhecer” e se ver pela primeira vez em momentos cheios de significados cultural, religioso e espiritual. É um trabalho etnográfico? É um trabalho psicológico? Ou social? Não sei responder com certeza.
MV O que precisa para ser um bom fotógrafo?
CC Amo muito o fotógrafo Cartier-Bresson, que diz que, no momento definitivo do click, tem que ter na mesma linha o cérebro, os olhos e o coração, para capturar a essência da imagem. Saber de técnica, para usá–la; ter um olhar diferente para oferecer à imagem um significado diferente; usar o coração, o sentimento, o respeito, a emoção, a sensibilidade para dar vida a uma coisa, a imagem, que pode ser apenas um pedaço de papel.
Repórter: Flavia Vasconcelos

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Fotógrafa italiana é a convidada do 3º Modos de Ver


A fotógrafa italiana, radicada em Boipeba, Cristina Cenciarelli será a convidada de dezembro do Projeto Modos de Ver. A fotógrafa apresentará seu trabalho e compartilhará seus olhares, técnicas e estilo com profissionais, estudantes e amantes da fotografia nos dias 5, 6 e 7 de dezembro, no auditório do Palacete.

No primeiro dia (5), Cristina Cenciarelli falará sobre suas experiências e o seu processo de criação até o ato fotográfico na palestra O fotógrafo por ele mesmo, no segundo dia (6) a fotógrafa e os participantes sairão a campo para a Feira de São Joaquim, em Salvador, e no terceiro dia (7), Cenciarelli fará uma análise do material produzido pelos participantes durante a saída fotográfica.

Sobre a artista

Cristina Cenciarelli, italiana, fotógrafa de publicidade, teatro e cinema, com trabalhos publicados em revistas italianas e estrangeiras, é autora e curadora de várias publicações de fotos e de textos. Na Ilha de Boipeba (Bahia), onde vive há seis anos, está criando um arquivo fotográfico e áudio sobre as memórias dos velhos de Boipeba e as tradições afro-brasileiras. É co-fundadora, junto com nativos da ilha, da Associação Luz Cultural de Boipeba e da Biblioteca de Boipeba.

Serviço:
O quê: Modos de Ver, com a fotógrafa italiana Cristina Cenciarelli.
Onde: Palacete das Artes Rodin Bahia. Rua da Graça, n° 284, Graça. Tel: (71) 3117.6986.
Quando: 5, 6 e 7 de dezembro. Dia 5, das 19h às 21h (Palacete das Artes Rodin Bahia). Dia 6, das 15h às 18h(Saída fotográfica – Feira de São Joaquim) e dia 7, das 10h às 13h (Análise do material produzido no Palacete das Artes Rodin Bahia).
Quanto: R$ 90.
Inscrições: As inscrições podem ser feitas na Casa da Photographia, de segunda a sexta, de 9h às 17h e aos sábados de 9h às 12h. Rua Padre Feijó, nº 442, Canela. Tel: (71) 3332.0255.
30 vagas Carga horária: 9 horas. Será disponibilizado certificado de participação.

Contato

Assessoria de Imprensa
Flavia Vasconcelos
DRT-Ba 3045
(71) 3332.0255/ 9957.7021
ascom@casadaphotographia.art.br


Texto: Flavia Vasconcelos
Fotos: Cristina Cenciarelli

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A vez do fotojornalismo


Fotojornalismo foi o tema da 2ª edição do Modos de Ver, com a repórter fotográfica Margarida Neide. Foram três dias de exercício do olhar, absorvendo as técnicas de uma das fotógrafas mais experientes do fotojornalismo baiano.


Seguindo a "tradição", o encontro teve início na sexta (14) no auditório do Palacete das Artes, onde a fotógrafa apresentou seu trabalho e contou suas experiências. Foi uma noite de bate-papo e de contemplação da fotografia. Personagens da política baiana e o povo nas mais diversas situações de protesto e do cotidiano apresentaram-se nas fotografias jornalísticas produzidas por Margarida. Momentos de muito movimento, congelados pelo modo de ver da fotógrafa e capturado por lentes de uma máquina fotográfica.


No dia seguinte, o Centro Histórico foi palco de mais uma saída fotográfica do Modos de Ver. O grupo saiu em busca de boas fotos, preocupando-se em treinar seu olhar no que foi mostrado na noite anterior.



Como o fotojornalismo era o tema central, procurou-se unir a notícia com a estética. Para isso, nada melhor do que uma feira de bonecos. Trata-se do Sesi Bonecos do Brasil, festival que está em temporada no nordeste desde o dia 3 de novembro, quando se iniciou no Recife, e passará ainda - após sair de Salvador - por Aracajú (22 e 23), Maceió (29 e 30), João Pessoa (6 e 7/12) e Fortaleza (13 e 14/12).






O povo na rua, muitas cores, criatividade, arte e cultura popular. E, dessa forma, o sábado foi preenchido. No domingo, último dia do projeto, cada participante mostrou o que produziu durante a prática na rua, com o objetivo de ouvir da fotógrafa convidada dicas, críticas e conselhos. Bom lembrar que, posteriormente, as fotografias produzidas durante as saídas fotográficas, serão selecionadas e expostas nas dependências do Palacete das Artes. Por fim, deu-se - mais uma vez - a festa da fotografia.









Texto: Flavia Vasconcelos
Fotos: Marcelo Reis , André Fernandes e Uran Rodrigues

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Alguns modos de ver







Modos de Ver com Margarida Neide nos dias 14, 15 e 16 de novembro.
Fotos: Margarida Neide.