terça-feira, 10 de março de 2009

Trajetória, por Isabel Gouvêa


Segue abaixo um relato da fotógrafa Isabel Gouvêa, próxima convidada do Modos de Ver, sobre quando a vida e a fotografia se misturam... Na foto, os fotógrafos Marcelo Reis e Isabel Gouvêa.



Em minha juventude em São Paulo, já me identificava com o universo poético das artes, comecei a sonhar com fotografia no final da década de sessenta. Num primeiro momento, mesmo sem câmera fotográfica, passei a realizar obsessivamente fotografias mentais das cenas de meu cotidiano. O ato de fotografar passou então a ser para mim a busca de um testemunho sensível, procurando aprofundar temas que me eram caros.

A partir do ano de 1978, aos vinte e cinco anos, passei a morar em Salvador. Fiquei profundamente atraída pela vibração de sua cultura e pela forma como o povo se manifestava, com uma espontaneidade e organicidade que eu desconhecia. Passo a fotografar as festas populares, em especial as festas de Iemanjá com constância e continuidade, em especial no Rio Vermelho e no povoado de Amoreiras, na Ilha de Itaparica. Realizo o mestrado em Artes Visuais na Escola de Belas Artes da UFBA com esta pesquisa, apresentada na Foto-Instalação ENCANTAMENTO em uma série de exposições itinerantes nas CAIXAS Culturais de Salvador, São Paulo e Brasília.

Como arte educadora, destaco a pesquisa realizada em parceria com jovens e educadores da ONG CIPÓ-Comunicação Interativa, Realizei a curadoria da Mostra DESIGN POPULAR DA BAHIA que reuniu mais de 100 objetos recolhidos em Salvador e recôncavo baiano, além de fotografias, croquis, vídeo, site e histórias em quadrinhos produzidos pelos jovens. A mostra foi apresentada em Salvador na Galeria da Cidade e em São Paulo no Museu da Casa Brasileira. Fragmentos da mostra foram expostos em Barcelona, Milão, Berlin, Porto Alegre, Itaú Cultural em São Paulo e recentemente na Bienal de Design de Brasília. Atualmente coordeno a Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia de Salvador.

Texto de Isabel Gouvêa. Foto: Uran Rodrigues.